quinta-feira, setembro 22, 2016
Era uma vez, um sábio em um leito de morte. Havia meses que todos sabiam como seu quadro não tinha conserto, e sua debilidade e desconforto físico só cresciam a cada dia.
Presente todas as manhãs, sua curandeira, que bem conhecia o homem, não deixava de reparar como a energia e risadas do velho teimavam em se destacar, sem esforço aparente!
E por mais satisfeita que se sentisse pela alegria do querido paciente, o fato a intrigava até não aguentar mais:
----- Sábio, importa-se se lhe fizer uma pergunta pessoal?
----- De forma alguma minha querida... Estou aqui apenas com esse compromisso no momento! ---- respondeu o velhote, com um sorriso genuíno no rosto.
----- Sei que o senhor não é religioso e muito menos hipócrita ou ignorante. Além disso, seus filhos já são pais criados e seus alunos renomados professores. Não entendo como o senhor consegue acordar radiante todos os dias, mesmo conhecendo a gravidade de sua doença! De onde tiras força para abrir os olhos feliz?! ---- perguntou a jovem, corando muito.
O homem ficou em silencio por alguns segundos, contemplativo, como se surpreendido por essa dúvida pela primeira vez:
----- Mas ora...veja que curioso. Pois sou eu quem não entende os que acordam de outra forma em minha situação!
"Há os que chegam ao leito final com muito por fazer... Nesse caso, o quando importa mais que o como, e por isso são os que mais tem motivo para comemorar a sorte de um novo dia para correr atrás do prejuízo.
Já os que tiveram uma missão bem percorrida, começam a pensar em outras bobagens!
Pois há os que pensam em si. E se pensam mesmo, sabem como uma cabeça em pé melhora muito seu bem estar e sua história.
Mas há também os orgulhosos... E para eles não há glória maior que uma oportunidade final de partir com a espada em mãos, de pé e com os dentes trincados!
E claro... existem os amantes. Pois se orgulho não há, e o egoísmo não convence, a força em legar um bom exemplo final aos seus, ou ao próximo, é tremenda. E sobra no coração de quem ama.
E sabe que nunca vi um homem sem um pingo de amor, egoísmo ou orgulho na vida?!"
A menina, chocada, se viu abraçando o homem com um sorriso enorme no rosto e lágrimas nos olhos. Tinha a certeza óbvia, pela primeira vez, que esse paciente nunca partiria infeliz.
segunda-feira, novembro 25, 2013
Death's Poem
It was midnight, and the Moon was glowing strong in the sky...
But suddenly, everything became dark.
And then, a shiny, little, white, tiny spot.......appeared.
And he focused on that little spot. And the white, sooner became blurred...
And the blurred, suddenly smelt blood.
And sooner than later, the white spot became red.
And the red, suddenly became cold.
And the cold, my friend, sooner left. And became death.
And that's why, my friends, they call Death a White man wearing a very dark Black coat.
But if you pay attention closely, you also notice the Red, the Blurred, the Blood smell and, of course, the Cold.
But never, ever, the Name.
terça-feira, maio 07, 2013
Amanhecer - O Fim de uma Era
Arredores de Arabel - Era mais uma noite qualquer na velha fortaleza enfurnada na floresta. Já fazia anos que seus velhos amigos haviam partido rumo à própria morte ou a eventos nada menos importantes do que salvar o mundo de um final sombrio, e pelo andar da carruagem, a primeira opção parecia ser a verdade. Por mais que seu coração insistisse em manter acesa uma pequena chama de esperança, que só servia pra tirar sua concentração lembrando insistentemente quão fraca e distante ela ainda estava de se tornar uma verdadeira heroína que nada teme, os fatos pareciam retumbar a cada semana mais insistentemente na sua cabeça.
Os Orcs estavam cada vez arriscando emboscadas e ataques mais próximos às grandes cidades e povoados. Elminster foi declarado morto há dez anos e nunca apareceu pra desmentir o boato. Luthien e Amrod, seus principais mentores, estavam desaparecidos e nem mesmo um sinal de vida pra saber se ela continuava persistindo havia chegado até ela. Talvez o pior tivesse acontecido e o grande mal que Leandro, Clara e seus heróis sempre evitaram discutir na sua frente tivesse prevalecido. Apesar de estar cada ano mais forte e preparada - mais de uma dezena de vidas já havia sentido quão afiado era o fio de suas lâminas curtas - o que poderia fazer ela contra vilões que com um movimento dos dedos podiam explodir uma cidade em chamas?
E foi então que tudo aconteceu muito rápido. Um som alto e grave como o de um sino gigantesco soou dentro do seu quarto. Em menos de 1 segundo, seus instintos já treinados jogaram Sarah de um só salto para o chão com sua adaga escondida empunhada e pronta para estocar o invasor. E foi assim que o sonho aconteceu. Da suave neblina que o portal na parede emanava, saíram suas maiores inspirações, seus maiores salvadores, sua família: na frente Ecthelion, carregando uma bolsa enorme feita de escamas rubras de um dragão vermelho. O saco parecia pender cheio e pesado no ombro do forte guerreiro, que apresentava olheiras e diversos cortes no corpo. Logo atrás vieram o bonito e esguio Amrod, com uma expressão mais sombria que a usual, e a elegante Melian, com parte da sua arrogância superficial roubada pelo cansaço que deixava transparecer uma versão mais verdadeira da elfa que mostrava preocupação e bondade. E por último surgiu um jovem alto de olhos azuis e cabelos brilhantes. Sua pele era dourada e brilhante como se na sala escura ardesse um sol que refletia minúsculos fragmentos metálicos pelo seu corpo. Sua expressão era tão determinada e sua voz tão profunda que causavam um frio na barriga a cada palavra:
"Calaquendi, vocês foram impecáveis na execução de suas missões e armas implacáveis nesta longa jornada que termina hoje com o fim dos planos perversos de Lord Kropus. Por isso, em nome das 7 Irmãs e com o poder concedido a mim pelas mãos da própria Mystra, eu os agradeço e abençôo. Mas receio que a vida não é justa com os bons, e eu preciso designar uma última missão a cada um de vocês. Uma última missão que eu não confiaria a ninguém menos que meu círculo mais precioso de amigos de profunda confiança. Vocês, e eu, nos tornamos portadores de relíquias com poderes que apenas os deuses podem sonhar. Mesmo eu, treinado há centenas de anos nas artes arcanas e no controle da mente, me tornei uma arma poderosa demais para ser confiável - basta perceberem com que facilidade Simbul penetrou na barreira de Pteuranomontos e apagou sua chama vital. Receio que este mesmo fardo tenha caído sobre vocês. Sem nem mesmo perceberem, as Kakari ergueram barreiras invisíveis e protegeram vocês de ataques mágicos e mentais que nem mesmo Lord Kropus, Pteuranomontos e as armadilhas preparadas juntos tiveram força para serem bem sucedidos. É verdade que Elminster fez sua parte em neutralizar boa parte da divindade presente no corpo do velho dragão, mas mesmo a fraca sombra do poder de Lord Kropus que enfrentamos esta noite deveria ter sido capaz de esmagá-los sem grande esforço. Não podemos correr o risco que esse poder caia nas mãos erradas. Se sozinhas as Essências já emanam esse poder tremendo, se alguém descobrir um jeito de empunhá-las em conjunto ou dominar seus portadores como era o plano de nosso inimigo, temo que força alguma desse mundo será capaz de detê-lo. E é por isso que até descobrirmos uma forma de destruir estes artefatos - e sim, já tentei conjurar um Desejo e Milagre sem sucesso - precisamos nos espalhar e desaparecer deste mundo abandonando as vidas e identidades que nos acostumamos até agora. A partir de hoje, nos tornamos alvos cobiçados demais e um chamariz grande demais quando estamos juntos. Mas vocês vão descobrir algo útil nesta jornada - as Kakari, pelo menos por enquanto, paralisaram o processo de envelhecimento em cada um de vocês... Se se concentrarem com atenção, perceberão que são capazes de alterar fisicamente sua forma e feição - algo que pode ser muito útil no processo de desnascimento e mudança de identidade que recomendo para todos nós."
Nesse momento, o saco pesado e vermelho começou a se mexer e soltar resmungos e xingamentos que de tão grotescos só poderiam querer dizer "pelas barbas fedorentas da sua mãe peluda, me tirem daqui!" no grosseiro dialeto dos anões.
"Ah sim." continuou Fineus. "Vocês vão perceber que fiz o favor de remendar seu pescoço e devolver a vida do nosso pequeno anão destemido. Se não o tirarem logo dai terão o desprazer de encontrá-lo afogado em meio a tanto ouro e pedras preciosas. Quanto a Luthien, receio que as forças divinas exercidas sobre ela estejam além do meu poder ou de qualquer mortal. Como qualquer ser divino que assuma sua função, só lhes é permitido descer ao mundo terreno 12 horas a cada centena de anos, e seu tempo entre nós se esgotou. Até a hora chegar, quando inevitavelmente enfrentaremos nosso próprio Juízo Final, receio que ela terá seus próprios desafios a cumprir sozinha. A Kakari está bem protegida no mundo dos mortos."
E foi assim, com os olhos cheios de lágrimas e uma vida cheia de histórias em comum, que eles souberam que o dia havia chegado. O dia no qual os Calaquendi deixavam de existir como grupo no mundo real e passava a fazer parte dos lendários nomes das canções dos bardos.
Uma menina de 20 anos chorando e se agarrando em alguém. Um anão que blindou algumas memórias. E um último abraço.
"Foi um prazer lutar ao seu lado, pequeninos".
Fim.
Calaquendi
Magic sword or bearded dwarf,
Os Orcs estavam cada vez arriscando emboscadas e ataques mais próximos às grandes cidades e povoados. Elminster foi declarado morto há dez anos e nunca apareceu pra desmentir o boato. Luthien e Amrod, seus principais mentores, estavam desaparecidos e nem mesmo um sinal de vida pra saber se ela continuava persistindo havia chegado até ela. Talvez o pior tivesse acontecido e o grande mal que Leandro, Clara e seus heróis sempre evitaram discutir na sua frente tivesse prevalecido. Apesar de estar cada ano mais forte e preparada - mais de uma dezena de vidas já havia sentido quão afiado era o fio de suas lâminas curtas - o que poderia fazer ela contra vilões que com um movimento dos dedos podiam explodir uma cidade em chamas?
E foi então que tudo aconteceu muito rápido. Um som alto e grave como o de um sino gigantesco soou dentro do seu quarto. Em menos de 1 segundo, seus instintos já treinados jogaram Sarah de um só salto para o chão com sua adaga escondida empunhada e pronta para estocar o invasor. E foi assim que o sonho aconteceu. Da suave neblina que o portal na parede emanava, saíram suas maiores inspirações, seus maiores salvadores, sua família: na frente Ecthelion, carregando uma bolsa enorme feita de escamas rubras de um dragão vermelho. O saco parecia pender cheio e pesado no ombro do forte guerreiro, que apresentava olheiras e diversos cortes no corpo. Logo atrás vieram o bonito e esguio Amrod, com uma expressão mais sombria que a usual, e a elegante Melian, com parte da sua arrogância superficial roubada pelo cansaço que deixava transparecer uma versão mais verdadeira da elfa que mostrava preocupação e bondade. E por último surgiu um jovem alto de olhos azuis e cabelos brilhantes. Sua pele era dourada e brilhante como se na sala escura ardesse um sol que refletia minúsculos fragmentos metálicos pelo seu corpo. Sua expressão era tão determinada e sua voz tão profunda que causavam um frio na barriga a cada palavra:
"Calaquendi, vocês foram impecáveis na execução de suas missões e armas implacáveis nesta longa jornada que termina hoje com o fim dos planos perversos de Lord Kropus. Por isso, em nome das 7 Irmãs e com o poder concedido a mim pelas mãos da própria Mystra, eu os agradeço e abençôo. Mas receio que a vida não é justa com os bons, e eu preciso designar uma última missão a cada um de vocês. Uma última missão que eu não confiaria a ninguém menos que meu círculo mais precioso de amigos de profunda confiança. Vocês, e eu, nos tornamos portadores de relíquias com poderes que apenas os deuses podem sonhar. Mesmo eu, treinado há centenas de anos nas artes arcanas e no controle da mente, me tornei uma arma poderosa demais para ser confiável - basta perceberem com que facilidade Simbul penetrou na barreira de Pteuranomontos e apagou sua chama vital. Receio que este mesmo fardo tenha caído sobre vocês. Sem nem mesmo perceberem, as Kakari ergueram barreiras invisíveis e protegeram vocês de ataques mágicos e mentais que nem mesmo Lord Kropus, Pteuranomontos e as armadilhas preparadas juntos tiveram força para serem bem sucedidos. É verdade que Elminster fez sua parte em neutralizar boa parte da divindade presente no corpo do velho dragão, mas mesmo a fraca sombra do poder de Lord Kropus que enfrentamos esta noite deveria ter sido capaz de esmagá-los sem grande esforço. Não podemos correr o risco que esse poder caia nas mãos erradas. Se sozinhas as Essências já emanam esse poder tremendo, se alguém descobrir um jeito de empunhá-las em conjunto ou dominar seus portadores como era o plano de nosso inimigo, temo que força alguma desse mundo será capaz de detê-lo. E é por isso que até descobrirmos uma forma de destruir estes artefatos - e sim, já tentei conjurar um Desejo e Milagre sem sucesso - precisamos nos espalhar e desaparecer deste mundo abandonando as vidas e identidades que nos acostumamos até agora. A partir de hoje, nos tornamos alvos cobiçados demais e um chamariz grande demais quando estamos juntos. Mas vocês vão descobrir algo útil nesta jornada - as Kakari, pelo menos por enquanto, paralisaram o processo de envelhecimento em cada um de vocês... Se se concentrarem com atenção, perceberão que são capazes de alterar fisicamente sua forma e feição - algo que pode ser muito útil no processo de desnascimento e mudança de identidade que recomendo para todos nós."
Nesse momento, o saco pesado e vermelho começou a se mexer e soltar resmungos e xingamentos que de tão grotescos só poderiam querer dizer "pelas barbas fedorentas da sua mãe peluda, me tirem daqui!" no grosseiro dialeto dos anões.
"Ah sim." continuou Fineus. "Vocês vão perceber que fiz o favor de remendar seu pescoço e devolver a vida do nosso pequeno anão destemido. Se não o tirarem logo dai terão o desprazer de encontrá-lo afogado em meio a tanto ouro e pedras preciosas. Quanto a Luthien, receio que as forças divinas exercidas sobre ela estejam além do meu poder ou de qualquer mortal. Como qualquer ser divino que assuma sua função, só lhes é permitido descer ao mundo terreno 12 horas a cada centena de anos, e seu tempo entre nós se esgotou. Até a hora chegar, quando inevitavelmente enfrentaremos nosso próprio Juízo Final, receio que ela terá seus próprios desafios a cumprir sozinha. A Kakari está bem protegida no mundo dos mortos."
E foi assim, com os olhos cheios de lágrimas e uma vida cheia de histórias em comum, que eles souberam que o dia havia chegado. O dia no qual os Calaquendi deixavam de existir como grupo no mundo real e passava a fazer parte dos lendários nomes das canções dos bardos.
Uma menina de 20 anos chorando e se agarrando em alguém. Um anão que blindou algumas memórias. E um último abraço.
"Foi um prazer lutar ao seu lado, pequeninos".
Fim.
Calaquendi
Magic sword or bearded dwarf,
Nor dragon’s fire or wizard’s charm
Will make this era know stronger arms… No, no, no… No…
Hidden knife or deepest shadow,
Walks the line but beds the madam
Will this kingdom meet darker fellow? No, no, no… No…
Calaquendi, mighty heroes
Save me from my darkest fate
Calquendi, old comrades
Shall the cups and the beers be raised
Calaquendi…
Sharp arrow or proudest heart,
Have killed too many and makes this his art
Will his villains fight braver part? No, no, no… No…
Greater miracle or rebuilt hand,
Knows tongue of God and the heart of men
Will this people face kinder care? No, no, no… No…
Heated fire or shiny blow
As quick to love as to explode
Will this world know brighter role? No, no, no... No…
Calaquendi, mighty heroes
Save me from my darkest fate
Calquendi, old comrades
Shall the cups and the beers be raised
Calaquendi…
segunda-feira, fevereiro 25, 2013
Cannon
Quando ainda era criança, um pequeno elfo foi seqüestrado de sua casa na Selva, e nem desse momento lhe permitiram guardar lembrança.
Cannon cresceu em uma ilha isolada, na qual o trabalho escravo e incessante buscava separar os rebeldes dos indivíduos mais rebanháveis. Com muito esforço e apoio do único amigo que se afeiçoou e conhecia magia, Jeod, aprendeu a esconder dos inspetores da Ilha - magos que vasculhavam as mentes dos escravos incansavelmente - nos recônditos mais escuros da mente, sua vontade de fugir e ira selvagem.
Dessa forma, anos se passaram quando Cannon (e também Jeod) foram escolhidos entre um seleto grupo para iniciar um treinamento militar intensivo que os preparava para se tornarem super soldados para uma finalidade ainda desconhecida.
Gorgul, o líder da Ilha de apenas um olho e também uma das pessoas mais asquerosas que a raça humana já produziu, freqüentemente os batia e castigava impiedosamente com seu longo bastão; a condição física e conhecimento bélico de Cannon, em contrapartida, evoluíam rápida e diariamente.
Após 2 anos de treinamento e aproximadamente uma década na Ilha, a oportunidade para fugir finalmente apareceu. Em uma missão simulada na costa, na qual deveriam invadir um navio inimigo e capturar o capitão vivo e imobilizado, Cannon assassinou sorrateiramente 7 "tripulantes", seguidores de Gorgul, e 4 companheiros que se rebelaram contra ele. Jeod embarcou com o amigo quando dominaram o navio, mas rapidamente o alarme soou e a embarcação mais veloz que havia ficado em terra logo disparou em sua direção.
Surpreendendo-o, Jeod o agradeceu pelos anos de amizade e companheirismo e, sem hesitar, o nocauteou desprevenido com um remo na cabeça.
Quando Cannon acordou ainda zonzo, estava em alto mar, invisível e em um bote de resgate do navio. A caravela que haviam dominado estava há quilômetros de distância, mas seus olhos élficos e olfato apurado não o deixavam se iludir: estava em pedaços e em chamas, com um odor ocre de oxigênio e madeira queimados - evidências claras de uma explosão recém eclodida.
Aquelas últimas palavras, as de Jeod antes da remada, nunca mais saíram da sua cabeça, nem foram lavadas pelas lágrimas que escorreram: "Vá Cannon. Eu sinto que você tem um mundo para mudar".
Cannon cresceu em uma ilha isolada, na qual o trabalho escravo e incessante buscava separar os rebeldes dos indivíduos mais rebanháveis. Com muito esforço e apoio do único amigo que se afeiçoou e conhecia magia, Jeod, aprendeu a esconder dos inspetores da Ilha - magos que vasculhavam as mentes dos escravos incansavelmente - nos recônditos mais escuros da mente, sua vontade de fugir e ira selvagem.
Dessa forma, anos se passaram quando Cannon (e também Jeod) foram escolhidos entre um seleto grupo para iniciar um treinamento militar intensivo que os preparava para se tornarem super soldados para uma finalidade ainda desconhecida.
Gorgul, o líder da Ilha de apenas um olho e também uma das pessoas mais asquerosas que a raça humana já produziu, freqüentemente os batia e castigava impiedosamente com seu longo bastão; a condição física e conhecimento bélico de Cannon, em contrapartida, evoluíam rápida e diariamente.
Após 2 anos de treinamento e aproximadamente uma década na Ilha, a oportunidade para fugir finalmente apareceu. Em uma missão simulada na costa, na qual deveriam invadir um navio inimigo e capturar o capitão vivo e imobilizado, Cannon assassinou sorrateiramente 7 "tripulantes", seguidores de Gorgul, e 4 companheiros que se rebelaram contra ele. Jeod embarcou com o amigo quando dominaram o navio, mas rapidamente o alarme soou e a embarcação mais veloz que havia ficado em terra logo disparou em sua direção.
Surpreendendo-o, Jeod o agradeceu pelos anos de amizade e companheirismo e, sem hesitar, o nocauteou desprevenido com um remo na cabeça.
Quando Cannon acordou ainda zonzo, estava em alto mar, invisível e em um bote de resgate do navio. A caravela que haviam dominado estava há quilômetros de distância, mas seus olhos élficos e olfato apurado não o deixavam se iludir: estava em pedaços e em chamas, com um odor ocre de oxigênio e madeira queimados - evidências claras de uma explosão recém eclodida.
Aquelas últimas palavras, as de Jeod antes da remada, nunca mais saíram da sua cabeça, nem foram lavadas pelas lágrimas que escorreram: "Vá Cannon. Eu sinto que você tem um mundo para mudar".
domingo, janeiro 09, 2011
P/ Prof. Maria Teresa
Nem mente, nem razão almejam, certos instantes.
Existem frutos só colhidos por Gigantes.
Proeza!
És brilhante, és estrela, és tu, Maria Teresa.
Vini
Existem frutos só colhidos por Gigantes.
Proeza!
És brilhante, és estrela, és tu, Maria Teresa.
Vini
Da Eterna Juventude
Abriram-se as portas dessa velha caravela!
A nau do Peter Pan
Embarquem todos, navegantes!
Fiquem, guerreiros do Martelo.
E quando o Sol se por,
crepúsculo sem aurora,
derramem uma lágrima;
doce pelos que foram
seca pelos que ficaram.
Cinzas.
Vini, 22/10/2004
A nau do Peter Pan
Embarquem todos, navegantes!
Fiquem, guerreiros do Martelo.
E quando o Sol se por,
crepúsculo sem aurora,
derramem uma lágrima;
doce pelos que foram
seca pelos que ficaram.
Cinzas.
Vini, 22/10/2004
O Primeiro Deferir
Ele era apenas um menino, mas já aguentava firme os quilos de equipamento... O eventual tilintar das armas nos escudos, o canto distante e inocente dos periquitos na, por enquanto, calma planície, o constante galope dos comandantes... tudo isso se juntava à luz e ao calor intensos do Sol, ao forte cheiro de suor e ao silêncio pesado das companhias para formar aquela estranha atmosfera tensa e ansiosa; um clima quase agonizante.
Os generais acabaram a normal troca de cumprimentos no campo de batalha e os druidas agora protegiam seus respectivos soldados com suas danças palidamente assustadoras. A qualquer momento, agora, soaria o comando. Fóóóóón. Gritaram as trombetas!
----- Avante, vulpianos!!!
Agora era tarde demais pra se acovardar! Os segundos da aproximação pareceram durar minutos, talvez horas, enquanto um mar negro e amarelo descia milimetro por milimetro o suave declive para encontrar-se com uma onda agitada de pontos pretos, pratas e azuis. Cem metros, o mar agora mais se parecia um conjunto de pontos ; cinquenta e já se distinguiam os cavalos dos homens; trinta, os estandartes e as bandeiras já eram nítidos; quinze; dez metros e já se via as insígnias brilhando nos escudos; cinco, as espadas já se emparelhavam desesperadamente; dois, o brilho dos olhos e o medo no homem à sua frente podiam ser sentidos no coração; zero.
Pruma, a espada, deferiu seu primeiro golpe certeiro na cintura de um homem; anos de treinamento para esse momento, para esse corte. Aquele brilho, agora estranhamente calmo, nos olhos do homem já velho, se misturava ao cheiro de sangue e à sensação ímpar de lâmina atravessando a carne, dando a esse momento um sentimento único de tristeza, tranquilidade, ternura e ânimo. A angústia e o questionamento pelas centenas, talvez milhares de vidas tombadas viriam só muito mais tarde, em condições muito diferentes, como o próprio menino, já senhor, haveria de perceber.
O relinchar dos cavalos, os amigos caídos e os crânios partidos, a chuva de flechas e o sangue no chão... tudo parecia não passar de um sonho. Da primeira gota de sangue ao último grito de adeus. Era como se tudo estivesse sendo contado por um bardo ou avô. Até mesmo quando ele foi Rei, a sensação do combate era sempre a mesma. A do garoto tímido que deixava a batalha fluir na sua forma mais espontânea pelo seu sangue, escudo e espada.
O caos ainda perdurava, mas a massa ia ficando mais rala. No chão, corpos e armaduras. Eventualmente um rosto conhecido. Ainda se ouvia os duelos finais. O último baque surdo de homem ao chão. Silêncio. Vitória.
As lágrimas diziam muito da dor das perdas e do contentamento do êxito. É um desses raros momentos que ao mesmo tempo choramos e sorrimos os extremos da vida; que sorrimos ao abraço úmido do amigo; que suspiramos aliviados o olhar do filho; que gritamos, perdidos, a morte do irmão.
Vinícius Aloe 27/12/2005
Os generais acabaram a normal troca de cumprimentos no campo de batalha e os druidas agora protegiam seus respectivos soldados com suas danças palidamente assustadoras. A qualquer momento, agora, soaria o comando. Fóóóóón. Gritaram as trombetas!
----- Avante, vulpianos!!!
Agora era tarde demais pra se acovardar! Os segundos da aproximação pareceram durar minutos, talvez horas, enquanto um mar negro e amarelo descia milimetro por milimetro o suave declive para encontrar-se com uma onda agitada de pontos pretos, pratas e azuis. Cem metros, o mar agora mais se parecia um conjunto de pontos ; cinquenta e já se distinguiam os cavalos dos homens; trinta, os estandartes e as bandeiras já eram nítidos; quinze; dez metros e já se via as insígnias brilhando nos escudos; cinco, as espadas já se emparelhavam desesperadamente; dois, o brilho dos olhos e o medo no homem à sua frente podiam ser sentidos no coração; zero.
Pruma, a espada, deferiu seu primeiro golpe certeiro na cintura de um homem; anos de treinamento para esse momento, para esse corte. Aquele brilho, agora estranhamente calmo, nos olhos do homem já velho, se misturava ao cheiro de sangue e à sensação ímpar de lâmina atravessando a carne, dando a esse momento um sentimento único de tristeza, tranquilidade, ternura e ânimo. A angústia e o questionamento pelas centenas, talvez milhares de vidas tombadas viriam só muito mais tarde, em condições muito diferentes, como o próprio menino, já senhor, haveria de perceber.
O relinchar dos cavalos, os amigos caídos e os crânios partidos, a chuva de flechas e o sangue no chão... tudo parecia não passar de um sonho. Da primeira gota de sangue ao último grito de adeus. Era como se tudo estivesse sendo contado por um bardo ou avô. Até mesmo quando ele foi Rei, a sensação do combate era sempre a mesma. A do garoto tímido que deixava a batalha fluir na sua forma mais espontânea pelo seu sangue, escudo e espada.
O caos ainda perdurava, mas a massa ia ficando mais rala. No chão, corpos e armaduras. Eventualmente um rosto conhecido. Ainda se ouvia os duelos finais. O último baque surdo de homem ao chão. Silêncio. Vitória.
As lágrimas diziam muito da dor das perdas e do contentamento do êxito. É um desses raros momentos que ao mesmo tempo choramos e sorrimos os extremos da vida; que sorrimos ao abraço úmido do amigo; que suspiramos aliviados o olhar do filho; que gritamos, perdidos, a morte do irmão.
Vinícius Aloe 27/12/2005
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Monólogo de um Anjo (a)
Eu sou assim... do jeito que me puseram no mundo... Se me gosto ou desgosto, se me desgostam ou gostam, não importa... O mundo não passa de um filme maluco que pensamos e fingimos construir... ..............!!! Que tu fizeste Eva?!?! Estragaste o conteúdo do meu excerto!! Estamos, agora, fadados ao eterno peso do poderia ter sido!!! Como terei certeza dos meus julgamentos, das minhas escolhas, dos meus caminhos??? Sim, sim...espere um minuto... Me parece q foste deveras sábia...ganhamos o lápis, o esquadro e o papel-manteiga...borracha nos falta mas, ora, nunca é tarde para redesenhar um cubo mal feito!!! Mas pense...a cada aresta imperfeita, a cada ângulo torto, gastamos mais uma folha e tinta... Pior!!! Eu que sou artista, não posso me permitir ângulos oblíquos e agudos!!! Se não sirvo pra traçar retas paralelas e lados iguais, sirvo pra quê?!?! Mas....calma...a perfeição não existe... O cubo perfeito não passa de utopia... Será por isso que me vejo Copas quando o mundo me julga Ouros?? É... quem sabe esteja na hora de apreciar meus rabiscos quase divinos... Quem sabe seja hora de sorrir para as minhas retas concorrentes...sorrir, destacar mais uma folha, e começar o próximo prisma regular...quer dizer...regular não...o meu próximo prisma... Sem dúvida alguma diferente do anterior... Mas sabe, Eva...a vida de fato ganhou um sentido novo...sinto uma sensação nova, um contentamento manso que vem da peculiaridade de cada ponto que pinto das linhas que se fundem no vértice... É, admito que seja um dom perigoso, esse tal binômio livre-arbítrio/responsab.............. Ei!!! Mas que mundo caótico!!!! Quem carimbou flores no meu cubo?!?!? Ahh agora entendo... a cada instante alguns papéis-manteiga são sobrepostos de forma a nascer uma figura abstrata inimaginável!!.. Veja, veja que tristeza! Mais uma pintura borrada e disforme, essencialmente alheia e, como normalmente, retocada e assinada por um anjo cabisbaixo de asas podadas...
Vini - algum momento em 2005
Vini - algum momento em 2005
sexta-feira, novembro 21, 2008
Medo do Escuro
Quando o vento que vem,
te dobra e passa ao seu lado.
Quando o fogo que queima,
sorri e só deixa um retrato.
É assim que eu me sinto, nadando
um rio ressecado.
Quando o Amor que ardia,
faz cosquinha na mão,
e o cão perigoso
virou um bichinho bobão,
a minha Estrela, das pontas,
se mostra bolha em sabão...
E quando o dia raiava,
e já até o vento, eu sentia,
tremeu o menino, encolhendo:
"Cadê o bicho-papão?"
te dobra e passa ao seu lado.
Quando o fogo que queima,
sorri e só deixa um retrato.
É assim que eu me sinto, nadando
um rio ressecado.
Quando o Amor que ardia,
faz cosquinha na mão,
e o cão perigoso
virou um bichinho bobão,
a minha Estrela, das pontas,
se mostra bolha em sabão...
E quando o dia raiava,
e já até o vento, eu sentia,
tremeu o menino, encolhendo:
"Cadê o bicho-papão?"
Porão